domingo, 25 de outubro de 2015


 QUANDO FICAS SOZINHO

Quando ficas sozinho, és espelho
do que foste:
                     uma manhã
contemplada da janela encostada
da varanda; alguns passos
harmoniosos que não seguiste
para não derramar teu gozo;
umas quantas palavras
que te modificaram mais que o tempo;
um olhar que se afogou
como luz em tuas veias;
uma viagem que não querias
terminar nunca; tua alma ausente
do que te esperava
ao ficares tão sozinho.

Ángel Crespo
(1926-1995)
In "Antologia da Poesia Espanhola Contemporânea"
Tradução: José Bento

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