quarta-feira, 11 de maio de 2011

Virgílio Piñera


TESTAMENTO


Como fui um iconoclasta
Recuso que me façam uma estátua;
Se na vida fui carne,
Na morte não quero ser mármore.

Como sou de um lugar
De demónios e de anjos,
Como anjo e demónio morto
Quero seguir pelas ruas...

Devo encontrar na eternidade
Novos anjos e demónios
E conversarei com eles
Numa linguagem cifrada.

E todos entender-me-ão
Que não choro...
Vivi e fui assim,
Assim sonhei, e atravessei o transe.

Virgílio Piñera
(1912-1979)
In "Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro"
Trad. de Jorge Henrique Bastos.

Sem comentários:

Enviar um comentário