segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pablo Neruda


A DANÇA

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
Amo-te secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
Amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
assim amo-te porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda
(1904-1973)

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