domingo, 21 de novembro de 2010

Angél González


TODOS VOCÊS PARECEM FELIZES...


...e sorriem, às vezes, quando falam.
E até dizem uns aos outros
palavras
de amor. Mas
amam-se
de dois em dois
para
odiar de mil
em mil. E guardam
toneladas de asco
por cada
milímetro de felicidade.
E parecem-nada
mais que parecem-felizes,
e falam
com o fim de ocultar essa amargura
inevitável, e quantas
vezes não o conseguem, como
não posso ocultá-la
por mais tempo: esta
desesperante, estéril, longa
cega desolação por qualquer coisa
que- não sei por onde-lentamente me arrasta.

Angél González
(1925-2008)
Tradução de José Bento.

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