domingo, 23 de maio de 2010

Joan Margarit


SATURNO



Rasgaste os meus livros de poemas
e deitaste-os para a rua pela janela.
As folhas, como estranhas borboletas,
iam pairando por cima das pessoas.
Não sei se agora nos entenderíamos,
dois homens velhos, cansados e desiludidos.
De certeza que não. Deixemo-lo assim.
Tu querias devorar-me. Eu, matar-te.
Eu, o filho que tiveste durante a guerra.


JOAN MARGARIT
Casa da Misericórdia
(trad. Rita Custódio e Àlex Tarradellas)
Ovni, 2009

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