sábado, 20 de outubro de 2012

 CONTAS


Uma noite, quando a noite não acabava,
contei cada estrela no céu dos teus olhos;
e nessa noite em que nenhum astro brilhava

deste-me sóis e planetas aos molhos.


Nessa noite, que nenhum cometa incendiou,

fizemos a mais longa viagem do amor;

no teu corpo, onde o meu encalhou,

fiz o caminho de náufrago e navegador.


Tu és a ilha que todos desejaram,
a lagoa negra onde sonhei mergulhar,
e as lentas contas que os dedos contaram


por entre cabelos suspensos do ar -
nessa noite em que não houve madrugada

desfiando um terço sem deus nem tabuada.


Nuno Júdice
In "Contas x Contos x Cantos e Que +"

5 comentários:

  1. Posso saber onde esta´a análise deste poema?

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  2. Gostaria de saber onde é q está a interpretação deste poema. Obrigada.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. por acaso posso saber onde está o raio da interpretação do poema

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