domingo, 25 de maio de 2014

CANTO DÉCIMO TERCEIRO


De criança sempre gostei de canas
e roubava-as do rio
ainda verdes.
Deixava-as depois estendidas ao sol durante todo o verão
e recolhia-as, ligeiras,
como o sussurro dos mosquitos. 



Quando no inverno
os ossos estalavam de frio
e os gatos tossiam sobre o damasqueiro
corria até ao sótão
e metia as mãos no meio das canas quentes
ainda com todo aquele sol em cima.


Tonino Guerra
(1920-2012)
In "O Mel"
Trad. de Mário Riu de Oliveira. 

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