segunda-feira, 26 de abril de 2010

Eugénio de Andrade


Olhos postos na terra



Olhos postos na terra, tu virás

no ritmo da própria primavera,

e como as flores e os animais

abrirás nas mãos de quem te espera.

Eugénio de Andrade

domingo, 25 de abril de 2010

Luís Cília / José Gomes Ferreira

Luís Cília / Carlos Oliveira

José Gomes Ferreira


Ó pastor que choras


Ó pastor que choras
o teu rebanho onde está?


-Deita as mágoas fora,
carneiros é o que mais há.


Uns de finos modos,
outros vis por desprazer...
Mas carneiros todos
com carne de obedecer.


Quem te pôs na orelha
essas cerejas, pastor?
São de cor vermelha,
vai pintá-las de outra cor.


Vai pintar os frutos,
as amoras, os rosais...
Vai pintar de luto,
as papoilas dos trigais.

José Gomes Ferreira

Fausto canta José Gomes Ferreira.

José Saramgo


Eugénio de Andrade


Poema


Agora os nomes que martelam o sono,
turvos ou roídos da poeira:
Póvoa, Castelo Novo, Alpedrinha,
Orca, Atalaia, nomes porosos
da sede, onde a semente do homem
é triste mesmo quando brilha.

Eugénio de Andrade,Poesia,Terra de Minha Mãe.