segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Paganini.

Winston Churchil nasceu a 30 de Novembro de 1874.



"A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes."


"Os homens tropeçam por vezes na verdade, mas a maior parte torna a levantar-se e continua depressa o seu caminho, como se nada tivesse acontecido"

"A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias."

"De uma maneira geral, os seres humanos podem ser divididos em três classes: aqueles que se matam com trabalho, os que se matam com preocupações e aqueles que se matam de tédio."

(Winston Churchill)

Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro de 1935.


Se às vezes digo que as flores sorriem.


Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.

Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.

(Fernando Pessoa/Alberto Caeiro)

domingo, 29 de novembro de 2009

Poema

SIGLA

S.A.R.L. S.A.R.L S.A.R.L.
a pança do patrão não lhe cabe na pele
a mulher do gerente não lhe cabe na cama.
S.A.R.L. S.A.R.L. S.A.R.L.
o cabedal estoira
e o capital derrama

O salário é sagrado
o direito é divino
mais o caso arrumado do poder que é bovino.

O papel é ao quilo
o cadáver ao metro
mais o isto e aquilo
com que se mata o preto.

O retrato é chapado
a moldura é antiga
para um homem armado
a catana é cantiga.

S.A.R.L. S.A.R.L. S.A.R.L.
o respeito algemado
o sorriso fiel
do senhor cão pastor que tem coleira aos bicos
S.A.R.L. S.A.R.L. S.A.R.L.
só salvamos a pele se formos cães de ricos:

A palhota de mágoa
a casota de medo
mais o pão e a água
que nos dão em segredo.

A gaveta arrumada
a miséria contida
mais a fome enfeitada
que há num dia de vida.

O cachorro quieto
o prazer solitário
do filho predilecto
do doutor numerário.

S.A.R.L. S.A.R.L. S.A.R.L.
a folha de serviços a folha de papel
o fabrico o penico o sono estuporado.
S.A.R.L. S.A.R.L. S.A.R.L.
o silêncio por escrito o silêncio ladrado:

A mensagem urgente
o envelope fechado
mais o rabo pendente
do animal escorraçado.

O contínuo presente
o contínuo passado
mais a fala deferente
do contínuo coitado:
Permite-me permite
Vossa Celebridade
o limite o limite
o limite de idade?

S.A.R.L. S.A.R.L. S.A.R.L.
Ai o sal deste mar ai o mel deste fel
o azeite o bagaço
o cagaço o aceite
deste lagar Tarzan traumatizado.
Ai a fase do leite
ai a crise do gado
neste curral sinónimo do homem
ANÓNIMO
RESPONSÁVEL
LIMITADO.

(Ary dos Santos, IN SOFRIMENTO IN SOFRIMENTO, 1969)

Poema.



Desejar

Desejar é a contínua impulsão de mudar...
- Desfazer e fazer - que jamais se termina...
Sonhar tudo, ser tudo e de novo aspirar
A primeira ilusão que se crê e imagina...

Carne ter outra carne a sentir e apalpar,
E ser beijo que mata e gozo que assassina...
E ao ser tudo, oh! tortura, outra vez desejar
A pureza d'outrora e os tempos de menina...

O desejo do tronco é ter verdura um dia,
E ao ter verdura vir de novo a ser desnudo,
E ser tronco outra vez e não ramaria...

Desejar oh! meu Deus, nada ser e ser tudo...
Não querer e querer... Estupenda agonia:
Mudo que quer ter voz e ao ter voz quer ser mudo!

Jorge de Lima, Obra Poética, Rio de Janeiro, Ed. Getúlio Costa, 1949.

sábado, 28 de novembro de 2009

Poema.


Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira, in (Infinito Pessoal ou a Arte de Amar.)

SONETO.

É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
bem que duas gamboas lhe lobrigo;
dá leite, sem ser árvore de figo,
da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como o zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
brando ás vezes, qual vime, está consigo;
outras vezes mais rijo que um pinheiro:

À roda da raiz produz carqueja:
todo o resto do tronco é calvo e nu;
nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um v;
adivinhem agora que pau seja,
e quem adivinhar meta-o no cu.

Bocage( Poesias Eróticas, Burlescas e satíricas)