sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tchaikovsky morreu ( aos 53 anos ) a 6 de Novembro de 1893.

Sophia de Mello Breyner nasceu a 6 de Novembro de 1919.


Pirata

Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Barack Obama foi eleito há um ano.


Barack Obama ( o nobel da paz deste ano) foi eleito há um ano. Mas o mundo não está melhor. No Iraque reinam a morte, a miséria e todo o género de atrocidades e injustiças. No Afeganistão as coisas estão piores que nunca. A eleição, vergonhosa, de Hamid Karsai com o carimbo "made in USA" e de Durão Barroso não vão melhorar as coisas... Guntanamo está de pedra e cal, as Honduras esquecidas, a América Latina é o que se sabe de África dói o coração falar.É um aniversário que não merece festejo.

Poema


Pelo sonho é que vamos

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

(Sebastião da Gama)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Poema.


IMPROVISO CORRIGIDO



Se minto? Quantas vezes!

Mas em palavras. Não

Nos meus olhos castanhos portugueses,

Nestas linhas atávicas da mão...

Se minto? ... Minto, pois!

Mas nas orais palavras que vos digo.

Não nas que entoo a sós comigo,

E em que enfim deixo de ser dois.

Não nas que entrego a músicas, miragens,

Alegorias, fábulas, mentiras,

Cadências, símbolos, imagens.

Ecos da minha e mil milhões de liras.

Se minto?...Minto! É regra de viver.

Mas não quando, poeta, me desnudo,

E a mim me visto de inocência, e a tudo.

Venha quem saiba ver!

Venha quem saiba ler!

(José Régio)



(Colheita da Tarde, 1971)

Jacques Brel "le Plat Pays"