sexta-feira, 31 de julho de 2009

Agroal / Aviso


As notícias sobre o Agroal estão ao rubro...Em conversa com amigos fiquei a saber que os visitantes do Agroal são mais que muitos...uns porque ouviram falar que está diferente, que foram feitas obras e que estas foram inauguradas com pompa e circunstância. Só que, a um amigo, as coisas não correram bem... Acometido de dores abdominais súbitas...teve que "dar à perna" e "dar à calça" atrás dumas silvas... ao contar-me a sua desgraça eu aconselhei-o a colaborar com as autoridades e colocar, junto à sinalização que ali existe, ou porque não, junto do último mini-mercado antes do Agroal, o seguinte AVISO.

Se tu fores ao Agroal
Leva um rolo de papel
Não faças da merda a tinta
Nem dos dedos um pincel.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O teu rosto



O teu rosto

é como a noite

que envolve

o cair do dia...

fecha todos os jardins

e abre a minha fantasia.


Vasco de Lima Couto

Mar


Mar!
Tinhas um nome que ninguém temia:
Eras um campo macio de lavrar
Ou qualquer sugestão que apetecia...

Mar!
Tinhas um choro de quem sofre tanto
Que não pode calar-se, nem gritar,
Nem aumentar nem sufocar o pranto...

Mar!
Fomos então a ti cheios de amor!
E o fingido lameiro, a soluçar,
Afogava o arado e o lavrador!

Mar!
Enganosa sereia rouca e triste!
Foste tu quem nos veio namorar,
E foste tu depois que nos traíste!

Mar!
E quando terá fim o sofrimento!
E quando deixará de nos tentar
O teu encantamento!
in "Poemas Ibéricos"

Sonho


Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.

Se existo, é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero, nem tenho, nem recordo.
Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e contêm.
Dorme, inscônscio de alheios corações,
Coração de ninguém!

6/1/1923
Fernando Pessoa, in Poesia do Eu,
Lisboa, Assírio & Alvim, 2006

domingo, 26 de julho de 2009


Vivam Apenas





Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.

Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.

Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhos
em rosas e canções.

E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.

Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!


José Gomes Ferreira

O lugar da alegria


A alegria é a última das ilhas
onde chegamos sempre de manhã

cobertos de mistério e de viagens
experientes despertos e seguros
sem saudade sem remorsos sem pudor

Mágico limiar dos mares do Sul
onde acabam todos os caminhos

não como abismo onde se perde o sonho
mas como porta que se abre e tudo é diferente

Rui Namorado, Sete Caminhos,
Coimbra, Fora do Texto, 1996